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Mudanças demográficas prolongam a vida profissional e aumentam a necessidade de qualificação e inclusão no mercado de trabalho

O envelhecimento da população brasileira está modificando a composição da força de trabalho. Com a redução do número de jovens que ingressam no mercado e o aumento da expectativa de vida, profissionais com 50 anos ou mais passaram a ocupar uma parcela cada vez maior da população economicamente ativa.

Dados apresentados pelo Correio do Povo, com base em levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que os empregos com carteira assinada entre trabalhadores com mais de 50 anos passaram de 12% em períodos anteriores para quase 19% do estoque total mais recentemente. Esse grupo também representa aproximadamente 20% da renda do trabalho no país.

O aumento da participação dos profissionais mais velhos, porém, não ocorre de maneira uniforme. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que trabalhadores dessa faixa etária enfrentam maior dificuldade para conseguir uma nova colocação depois de perderem o emprego. Em muitos casos, o retorno acontece por meio de ocupações informais ou do trabalho por conta própria, com menor estabilidade e proteção social.

A permanência por mais tempo na atividade econômica está relacionada à maior longevidade, à queda da natalidade, às mudanças nas regras previdenciárias e à necessidade de complementar a renda. Parte dos aposentados também continua trabalhando para manter o padrão de vida.

A procura por oportunidades aparece em iniciativas específicas de recolocação. Em maio de 2026, o primeiro Mutirão da Maturidade 50/60+, promovido pelo Sine Municipal de Porto Alegre, reuniu 410 pessoas e realizou cerca de 530 entrevistas. A estimativa era de que aproximadamente 40% das entrevistas apresentassem possibilidade de contratação imediata. Em junho, a segunda edição disponibilizou cerca de 300 vagas e registrou mais de 450 entrevistas.

Outro desafio é a discriminação por idade. Pesquisas acadêmicas citadas na matéria identificaram sinais de ageísmo em processos de recrutamento e seleção, além da ausência de políticas estruturadas para contratação, retenção e desenvolvimento de profissionais acima dos 50 anos em parte das empresas.

Para especialistas, o novo perfil demográfico exige adaptações das empresas e das políticas públicas. Entre as medidas apontadas estão o investimento contínuo em qualificação, a atualização de competências ao longo da vida profissional, a criação de ambientes inclusivos e o combate à discriminação etária.

 

Fonte: Correio do Povo

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