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Produtores rurais do norte e noroeste do Rio Grande do Sul devem enfrentar um cenário de mais chuva, temporais frequentes e aumento do risco de doenças nas lavouras, caso se confirme a formação do El Niño no segundo semestre deste ano.

As projeções meteorológicas indicam mais de 90% de probabilidade de o fenômeno se estabelecer entre a primavera de 2026 e o começo de 2027. Simulações divulgadas em maio pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo apontam, inclusive, a possibilidade de um episódio de forte intensidade.

Segundo o agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha, a metade norte pode sentir os efeitos do fenômeno já na primavera, especialmente nas regiões das Missões e Alto Uruguai. Mesmo assim, o alerta é generalizado:

É um fenômeno de grande escala, ainda que tenha particularidades de regiões. Eu entendo que é melhor sempre olhar esse evento como um fenômeno de escala espacial mais abrangente do que destacar particularidades, embora elas existam.

 

Mais umidade e risco de doenças

Para a agricultura, o principal impacto esperado é o excesso de umidade. De acordo com Cunha, anos de El Niño costumam ter chuvas acima da média e maior nebulosidade, cenário que favorece doenças fúngicas nas lavouras. Culturas de inverno, como trigo, cevada e aveia, exigem atenção especial.

São anos que demandam maior cuidado com as questões fitossanitárias por causa da umidade elevada. Não são anos para pensar em quebrar recordes de produtividade. A maior nebulosidade reduz a radiação solar e isso impacta o potencial das lavouras — explica.

Segundo o especialista, o ideal é que o produtor diversifique estratégias justamente para evitar perdas maiores caso ocorram eventos extremos:

Em anos de El Niño, não se pode atrasar a colheita. As chuvas frequentes da primavera aumentam o risco de prejuízos no campo.

Entre as recomendações para minimizar riscos, estão:

  • fazer rotação de culturas
  • evitar concentrar toda a semeadura em uma única época
  • utilizar diferentes cultivares e ciclos
  • reforçar o manejo de doenças
  • colher as lavouras assim que estiverem prontas
  • aderir a programas de seguro agrícola ou Proagro.

 

Fenômeno deve impactar todo o Sul

Embora o El Niño impacte toda a metade norte o especialista destaca que o fenômeno é de grande escala e deve influenciar todo o Sul do Brasil.

Além das chuvas acima da média, a tendência é de temperaturas mais elevadas ao longo do período. Mesmo assim, episódios de frio intenso e geadas ainda podem ocorrer durante o inverno.

O El Niño não elimina extremos de frio. O que muda é o padrão médio de temperatura e chuva — explica.

O pesquisador também alerta que a previsão de formação do fenômeno não significa automaticamente a ocorrência de catástrofes climáticas, embora eventos fortes aumentem as chances de temporais e enchentes.

 

Fonte: GZH

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