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Um técnico em contabilidade foi detido nesta quarta-feira por suspeita de gerenciar valores da facção Os Manos, através de 175 empresas de fachada, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Também houve o bloqueio de R$225,4 milhões em contas bancárias e ativos financeiros, estimativa do montante que o homem de 57 anos teria movimentado com lavagem de dinheiro do tráfico e sonegação de impostos, desde 2023, conforme as forças de segurança.

As medidas ocorreram na chamada Operação Acerto de Contas, com a execução de 261 ordens judiciais em Porto Alegre, Canoas, Dois Irmãos, Igrejinha, Sapiranga, Araricá, Tramandaí, Capão da Canoa, Campo Bom, Gravataí e Guaporé e Florianópolis. Estiveram na ofensiva os efetivos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco/MPRS), Receita Estadual e Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro (DRLD), do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Dercap).

Foram confiscados 11 imóveis e 30 veículos de alto padrão. Além disso, o principal investigado foi preso preventivamente, e mais onze pessoas tiveram decretadas medidas cautelares diversas da prisão, com monitoramento por tornozeleira. Outros mandados foram de busca e apreensão, em casas e empresas dos suspeitos.

O contador já estava com a licença profissional cassada, mas mantinha o esquema através de terceiros, segundo a investigação. Por meio de contas de laranjas e empreendimentos falsos, ele coordenava um mecanismo de emissão de notas frias, orientando comparsas sobre ajustes em declaração de renda e transferindo empresas endividadas aos nomes deles. A base da farsa estava na criação quase ininterrupta de CNPJs, o que dificultava o lastreio do dinheiro.

A investigação começou em 2024, quando o MPRS recebeu da Receita Estadual um relatório técnico das atividades ilícitas. Paralelamente, ainda naquele ano, a Polícia Civil passou a apurar a utilização de tais empresas no branquiamento de capitais do tráfico. Na época, o trabalho resultou na Operação Livro Caixa, quando foram recolhidos celulares, documentos e computadores.

Conforme a apuração, o contador era procurado por empresários para fins de redução ilegal do pagamento de tributos. Aos clientes, ele oferecia “serviços” de evasão fiscal e ocultação de patrimônio, incluindo artimanhas contábeis e societárias, como no caso das notas frias, por meio de empresas “noteiras”, previamente constituídas para esse fim, aliado ao repasse de pessoas jurídicas com passivo insolúvel para a titularidade de laranjas. Somado ao mecanismo de sonegação, o profissional ainda atuava como operador financeiro de facção, com circulação artificial de valores nos empreendimentos fictícios e reinserção dos recursos no sistema financeiro, promovendo, assim a lavagem de dinheiro oriundo do tráfico mediante operações simuladas.

 

Fonte: Correio do Povo

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